Enquanto a tecnologia permite controlar robôs "com a mente", pesquisadores do projeto mergulham na atividade neuronal para entender como o cérebro aprende e se adapta durante esse processo.

O conceito de controlar objetos apenas com a força do pensamento deixou de ser ficção científica há décadas. Hoje, chamamos isso de Interface Cérebro-Máquina (ICM). No entanto, a parte central desta tecnologia é uma técnica chamada Neurofeedback.
No Projeto NeuroBeep, o neurofeedback é a ponte que permite que crianças com limitações motoras severas controlem robôs educacionais. Nossa equipe visa aplicar a tecnologia e ampliar suas possibilidades e visando o entendimento e o que acontece dentro dos circuitos cerebrais enquanto ela funciona.
O que é Neurofeedback?
Em termos simples, o neurofeedback é um treinamento para o cérebro. Imagine que você está tentando mover um cursor em uma tela, mas não usa as mãos, apenas sua atividade cerebral. Quando você atinge o padrão mental correto (foco ou relaxamento, por exemplo), o cursor se move. O cérebro "vê" esse sucesso (feedback) e aprende a repetir aquele padrão. É um processo de aprendizado por reforço.

A Fronteira do Conhecimento: O Córtex Parietal Posterior (PPC)
A Equipe de Neurociências do projeto, liderada pelos professores Rubem Carlos Araújo, Pedro Valadão Carelli e Nivaldo Vasconcelos, destacou uma lacuna na ciência mundial: embora saibamos que áreas como o córtex pré-frontal estão envolvidas, pouco se sabe sobre o comportamento de grandes populações de neurônios no Córtex Parietal Posterior (PPC) durante o neurofeedback.
Por que o PPC é importante?
Segundo as pesquisadoras do projeto, Dra. Sonia Carolina Guerrero e a mestranda Anne Beatriz Vieira, essa região é um centro vital de "integração sensoriomotora". É ali que o cérebro planeja movimentos, navega no espaço e toma decisões baseadas no que vê e sente.
Para criar tecnologias assistivas mais precisas e responsivas, o NeuroBeep está conduzindo estudos experimentais aprovados pelo comitê de ética (CEUA), investigando a atividade eletrofisiológica dessa região específica.
Ao decifrar como o PPC processa o feedback visual e planeja a ação sem o movimento físico, o projeto espera aprimorar os algoritmos que controlam a Cadeira Robótica do NeuroBeep, tornando a navegação mais natural e intuitiva para as crianças.
Alexandre Lima
Comunicação em Ciência